No 9º CECUT, realizado de 01 a 04 de maio de 2003, em Praia de Leste, assumi a presidência estadual da Central Única dos Trabalhadores. Tinha apenas 28 anos, mas a pouca idade não era um empecilho, mas sim uma virtude, pois estava repleto de novas ideias e com muita disposição para lutar em favor da liberdade de organização sindical dos trabalhadores paranaenses. Aquela gestão contava com companheiros sindicalistas que tinham mais experiência, e isso auxiliou muito para cumprirmos com um mandato que foi marcado por várias conquistas.
Naquela gestão conseguimos adquirir uma sede própria para a CUT Paraná, puxamos o debate sobre o piso regional e conseguimos torná-lo realidade, organizamos campanhas salariais unificadas que trouxeram muitos benefícios para as diversas categorias representadas, ajudamos os trabalhadores a ocupar e a autogestionar a maior fábrica de botões da América Latina, e lutamos com afinco pela integração dos trabalhadores latino-americanos por meio do 1º de Maio na Região da Tríplice Fronteira, em parceria com a Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS).
O trabalho realizado frente à CUT Paraná foi reconhecido pelos trabalhadores e dirigentes dos sindicatos filiados. No 10º CECUT, que aconteceu de 28 a 30 de abril de 2006, também em Praia de Leste, fui reeleito como presidente estadual da Central. O mote do Congresso destacava o anseio da classe trabalhadora paranaense: “Pra mudar nossa vida, a luta tem que ser pra valer!”. E com certeza foi! Logo no primeiro ano do novo mandato nos deparamos com a fatídica emenda 3, que permitia aos patrões converter seus funcionários em pessoas jurídicas, a tal pejotização, e, consequentemente, acabar com direitos históricos, conquistados com muita luta operária, como as férias e descanso semanal remunerados, 13º salário, licença-maternidade, entre outros. Uma verdadeira reforma neoliberal trabalhista que chegou a ser aprovada no Congresso Nacional. Foi preciso muita luta e mobilizações de rua, mas os trabalhadores foram vitoriosos. O presidente Lula entendeu que a emenda 3 significa um retrocesso de proporções avassaladoras e vetou o projeto.
Durante esta segunda gestão, mantivemos a luta para manter o piso regional no patamar de 25% acima do salário mínimo, que também registrava ganhos reais sucessivos, fruto da política de recuperação do poder aquisitivo do salário mínimo, outra vitória obtida pelo movimento sindical.
Há que se destacar também as conquistas de cunho institucional da CUT Paraná, como a reorganização das regionais, a reforma da sede estadual, a aquisição de novos equipamentos e mobiliário, a ampliação do efetivo de funcionários, entre outros.
Além disso, continuamos a semear a integração dos trabalhadores latino-americanos com a realização de outros dois eventos do Dia Internacional do Trabalhador na Tríplice Fronteira, com participação das centrais sindicais do Paraguai, Argentina, Chile e Uruguai.
O 11º CECUT, realizado de 19 a 21 de junho de 2009, foi um evento marcante para a história do movimento sindical paranaense. Pela primeira vez, as forças que atuam no interior da CUT deixaram, em nome da unidade para o fortalecimento da classe trabalhadora, formaram uma chapa única para compor a nova direção da Central, na qual tive novamente meu nome indicado para ocupar a presidência.
Aceitei o desafio e continuamos nossa luta. Rodamos o estado para fortalecer as regionais da CUT-PR, fizemos uma das maiores greves da história do Paraná nas obras e manutenção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas [Repar] e Fosfértil, ampliamos significativamente o número de sindicatos filiados à CUT no estado e saímos às ruas para caçar os fantasmas da Assembleia Legislativa do Paraná.
Todas essas lutas, travadas ao longo de quase 8 anos à frente da Central, me ensinaram muito sobre a importância de manter acesa a chama da resistência da classe trabalhadora, contra o modelo neoliberal que tanto prejudicou o país.
*Por Roni Anderson Barbosa, trabalhador petroleiro, advogado