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O Fórum Social Mundial e a defesa da democracia no Brasil e no mundo

Escrito por: Marcio Kieller, Secretário Geral da CUT Paraná

20/03/2018

O Fórum Social Mundial realizado na cidade de Salvador na Bahia, entre os dias 13 e 17 de março cumpriu seus objetivos de sucesso, um público gigantesco e plural. Tendas de discussões políticas, sociais dos mais variados eixos e temas que transformaram a cidade numa babel humana de militantes de inúmeras causas e de todos os lugares do mundo.

Vimos transitar pela UFBA, local de realização do Fórum indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses, jovens, homens, mulheres, trabalhadoras e trabalhadores rurais e das cidades do Brasil inteiro e de diversos países do mundo, fez com que vejamos a importância das discussões transversais e a continua luta pela busca da implementação de políticas públicas e sociais para consolidar a democracia no Brasil e no mundo.

Nesse megaevento a toada foi a compreensão que a ofensiva do capital é que tem produzido as principais mazelas que todos esses movimentos enfrentam. Movimentos esses que trazem também para esse espaço de discussão mundial, soluções e ideias que tem ajudado muita gente pelo mundo em diversas áreas do conhecimento. Essa é uma das principais características do Fórum Social Mundial que acontece em diversos lugares do mundo desde o ano 2000, data da sua primeira edição.

Durante as todas mesas, atividades e ações desenvolvidas o momento oportuno para à denúncia do golpe parlamentar e institucional que o Brasil e diversos outros países da América Latina tem vivido. E um dos maiores eventos realizados durante o Fórum foi a realização da Assembleia Mundial em Defesa das Democracias, que trouxe um leque de denúncia de processos de exceção política que estão vivendo esses países, que falarei mais a frente.

Outro importante evento de grande repercussão e participação no Fórum, sendo uma das atividades mais disputa entre os inscritos ao Fórum Social Mundial foi o lançamento do segundo volume da Enciclopédia do Golpe, que colocou numa mesa de discussão personalidades como o importante advogado e prof. da UFPR, Wilson Ramos Filho o Xixo, a presidenta nacional do Partido dos trabalhadores, Gleisi Hoffmann, a presidenta do instituto Defesa da Classe trabalhadora - DECLATRA e ex. Vice Prefeita de Curitiba, Mirian Gonçalves e o respeitado jornalista da resista Carta Capital Mino Carta. Nessa mesa se fez uma análise política e um balanço do governo ilegítimo e sem voto de Michel Temer que implementa reformas que não estão em consonância com os anseios da população, ou seja, reformas que atendem somente o que querem as elites políticas representantes do grande capital nacional e estrangeiro.

Por análise como essas que fez se no lançamento da enciclopédia é que se reforça o fato de que a avaliação do governo ilegítimo, golpista não ultrapassa mais de 5% de aceitação da população, segundo todos os institutos de pesquisas de opinião.

Um governo ilegítimo que congelou gastos públicos com programas sociais por duas gerações, impôs um regime de quebra do serviço público com o desmonte dos principais programas sociais que eram vitrines dos governos democráticos e populares de Dilma Rousseff e de Luís Inácio Lula da Silva, como o Ciência Sem Fronteiras, desfigurou o programa Minha Casa Minha Vida e acabou com muitos outros, na ânsia da busca por austeridade fiscal, na busca tosca de responder a mercado econômico a necessidade de buscar a todo o custo um superávit financeiro, superávit que tem um único e exclusivo objetivo pagar juros para os credores da dívida interna. Não importando se para isso tenha que deixar de atender as necessidades básicas da população. Sendo que segundo o movimento cívico Auditoria Cidadã da Dívida Pública é uma dívida que é infinitamente menor do que se fala, ou já nem existe mais pelo montante de juros sobre juros que já foram pagos dela.

E ainda na mesma toada de ofensiva do capital veio para cima dos direitos históricos da classe trabalhadora com implementação das terceirizações sem limites, da reforma trabalhista, produzida intelectualmente nas mesas do patronato empresarial e em conluio com o mercado financeiro sem pudor nenhum, sem debate nenhum com a sociedade e com as entidades representativas de classe que são as Centrais Sindicais, Confederações, Federações e Sindicatos. Alterando de forma unilateral mais de duzentos itens da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT que datava de 1943 e que tinha fato seus problemas históricos e que precisava ser modernizada, mas precisava ser modernizada com democracia e participação da sociedade principalmente da classe trabalhadora que é a mais principal atingida pela reforma do governo. Pois somente assim a reforma trabalhista teria sua modernização como sendo digna e não totalmente desconfigurada como foi, com o único e exclusivo objetivo de atender as elites dos grandes empresários nacionais e internacionais e, em contraposição a isso a CLT continuava a ser, a que pese seus problemas, uma salvaguarda para inúmeros direitos históricos das trabalhadoras e trabalhadores.

Bom no Fórum, entre todas as questões fundamentais que rolaram o ponto alto do Fórum Social Mundial em Salvador foi a participação de diversos ex-presidentes Latino Americanos que fizeram a construção política do período mais democrático que vivemos na América do Sul, dentre eles Dilma Rousseff, José Manoel Zelaia de Honduras, o Presidente Luís Inácio da Silva e o governador do Estado da Bahia Rui Costa. Que fizeram um grande ato no Estádio de Futebol Pituaçu com a presença de mais de 30 mil pessoas em defesa das democracias e de denúncia do golpe institucional e parlamentar em curso no Brasil.

O ex-presidente Lula fez um discurso de estadista com grande conteúdo de política internacional e nacional, abordando a fragilidade em que se encontra nossa democracia nos dia de hoje, com a ascensão ao governo dos setores mais reacionários e conservadores, que nominaram um grupo de políticos com histórico de corrupção para fazer o serviço sujos das reformas em curso no Brasil. Que só não foram cem por cento efetivadas por que houve resistência das trabalhadoras e trabalhadores do Brasil.

Também o Fórum foi importante espaço para afirmação da luta feminista e de raça presente em todos os cantos do mundo. E que infelizmente ganhou mais dimensão maior pelo brutal assassinato da vereadora negra e militante feminista Marielle Franco do PSOL do Rio de Janeiro na noite de 15 março, que causou comoção nacional e mundial e também foi um golpe frontal a intervenção militar que acontece no Rio, pois a vereadora era uma das responsáveis pelo acompanhamento da intervenção militar no Estado implementada pelo governo Central.

A CUT esteve presente ao Fórum com a Tenda O Futuro do Mundo do Trabalho. Onde rolaram discussões importantes como o Pré-sal, questões de organização da classe trabalhadora. Além de estarem presentes os principais dirigentes sindicais da Central, o Espaço da tenda CUT era um dos únicos que abriga dois auditórios onde temas do movimento sindical rolaram durante todo o Fórum. Tendo a Central uma participação de destaque no Fórum Social Mundial como historicamente teve

Ao Findar suas atividades o Fórum Social Mundial de Salvador com certeza contabilizou vitórias em todos os sentidos, de participação, de números, de bandeiras de lutas presente, de causas sociais que estiveram em destaque durante esses quatro dias de realização do evento. Destacando em todo o momento que o vivemos um momento de exceção política e que o Fórum Social Mundial foi um espaço importante de defesa e denuncia aos participantes do mundo todo que vivemos momento de exceção em diversos países e que é imperativo a defesa da democracia no Brasil e no mundo.

 

Marcio Kieller

Secretário Geral da CUT/PR, Dirigente sindical bancário, Mestre em Sociologia Política pela UFPR. 

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