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O Julho das Pretas.

Escrito por: Juliana Mittelbach, Rede Mulheres Negras do Paraná

25/07/2017

 

Em 1992 ocorreu o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e caribenhas em Santo Domingo, na República Dominicana. Neste encontro foi criada a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, e foi definido o dia 25 de julho como Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha.

No Brasil esta data foi comemorada pela primeira vez em 2014 como Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei 12.987, sancionada pela Presidente Dilma Roussef no dia 2 de junho deste mesmo ano. Até a sanção da lei, o Brasil era o único país da América Latina que não comemorava oficialmente, em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
Mas quem foi Teresa de Benguela?

Teresa de Benguela foi líder do Quilombo do Quariteré junto com seu companheiro José Piolho. Ela era chamada de Rainha Teresa pelos quilombolas e era proveniente da Angola, embarcada no porto de Benguela, o que aponta a região onde vivia antes da escravização.
O quilombo que também era como Quilombo do Piolho por causa do seu líder, ficava em Vila Bela da Santíssima Trindade, Vale do Guaporé, há aproximadamente 548 km da capital do Mato Grosso, Cuiabá. Era constituído por africanos e populações mistas, compostas por índios e caborés, fugidos das Novas Minas das lavras de Mato Grosso.
Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa.

“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entravam os deputados, sendo o de maior autoridade, tido por conselheiro, José Piolho (…). Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executavam à risca, sem apelação nem agravo”.
(Anal de Vila Bela do ano de 1770).


Após ser capturada em 1770, o documento afirma:
“em poucos dias expirou de pasmo. Morta ela, se lhe cortou a cabeça e se pôs no meio da praça daquele quilombo, em um alto poste, onde ficou para memória e exemplo dos que a vissem”.

Alguns quilombolas conseguiram fugir ao ataque e o reconstruíram, mesmo assim, em 1777 foi novamente atacado pelo exército, sendo extinto em 1795.

O dia da Mulher Negra Latino – Americana fica ao povo brasileiro como herança e reconhecimento de exemplos como o de Teresa de Benguela, e tantas outras mulheres negras e camponesas, que lutaram e lutam ainda hoje contra o racismo e o machismo, e são essenciais no combate ao preconceito, à discriminação, à desigualdade e à violência, em prol da construção de uma sociedade mais justa.
Os movimentos de mulheres negras comemoram esta data com uma agenda intensa de mobilização que compreende desde o estudo da história de luta e resistência das mulheres negras através dos tempos como também debatendo o papel das mulheres negras na sociedade atual.

Aqui no Paraná as entidades negras se reuniram e tornaram o mês de julho como sendo o mês das mulheres negras, o “Julho das Pretas”. A intenção é reunir mulheres negras que sofrem com a exclusão social, com o racismo, machismo e LBTfobias, com baixos salários, com postos não valorizados no mercado de trabalho, com a intolerância religiosa, com o extermínio dos seus filhos (genocídio da juventude negra), e tantas outras pautas, para discutir e refletir sobre sua colocação na sociedade e como podemos juntas resistir e buscar por políticas públicas para a população negra.
Essa conjuntura de retirada de direitos com aprovação da reforma trabalhista, das terceirizações e com o projeto de reforma da previdência, traz grande impacto nas mulheres negras que são as que estão mais sujeitas a perder seus direitos trabalhistas.

A Central Única dos trabalhadores, que é antiracista, se soma ao Julho da Pretas para gritar Basta de Racismo.

O racismo é um problema da nossa sociedade, e por tanto deve ser desconstruído por todos e todas nós.

Juliana Mittelbach.  

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