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Boletim: 611
Data: 08/03/2010


Mulheres do Paraná marcharam por igualdade de direitos e pelo fim da violência

Mais de quinhentas mulheres ligadas a diversas entidades populares marcharam pelas ruas do centro de Curitiba no último sábado [06]. A manifestação alusiva ao Centenário do Dia Internacional da Mulher teve como mote a frase: “100 anos de luta: mulher, trabalho e poder”. A coordenação da atividade ficou ao encargo da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT Paraná.

A caminhada partiu da Praça Santos Andrade em direção à Boca Maldita. Durante o trajeto foram realizados vários atos políticos. Cada parada marcava uma reivindicação feminista, entre elas destacaram-se o lançamento da campanha da CUT por “Igualdade no Trabalho”, cujo objetivo é acabar com a discriminação salarial sexista, e a luta pelo fim da violência contra a mulher.

A secretária geral da CUT-PR, Marisa Stedile, enalteceu a diversidade de movimentos presentes na marcha. “Foi muito interessante ver várias entidades defendendo as bandeiras de lutas feministas. Tivemos a participação de mulheres trabalhadoras de diversas categorias, inclusive de rurais, além de organizações populares, como a Rede de Mulheres Negras, e a representação de partidos políticos de esquerda. Isso demonstrou a unidade do campo popular na luta pela equidade de direitos”.

O Coletivo de Mulheres da CUT-PR também lançou o abaixo assinado pela ratificação da Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho [OIT]. O referido tratado inclui entre os objetivos da política nacional do país-membro a responsabilidade de dar condições às pessoas com encargos de família, que estão empregadas ou queiram empregar-se, de exercer o direito de cumpri-lo, sem estar sujeitas à discriminação e sem conflito entre seu emprego e suas responsabilidades familiares.

Outro momento especial foi a exposição da advogada Isabel Kugler Mendes, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB Paraná. Ela denunciou que os mandantes do crime que resultou na morte da advogada Kátia Regina Leite Ferraz ainda não foram identificados. Ferraz atuava profissionalmente em defesa de mulheres que sofreram violência doméstica e foi brutalmente assassinada no dia 25 de fevereiro.

A marcha das mulheres do Paraná contou com representantes da APP-Sindicato, Coletivo de Ação Feminista da UFPR, CGTB, CTB, Federação de Mulheres do Paraná, FETAEP, Força Sindical, Fórum Popular de Mulheres, Marcha Mundial de Mulheres, Rede de Mulheres Negras do Paraná, PCdoB, Setorial de Mulheres do Partido dos Trabalhadores, SISMMAC e UBM Paraná.

:: Marcha em São Paulo
A tradicional passeata das mulheres do Paraná foi antecipada em função da Ação Internacional que a Marcha Mundial de Mulheres [MMM] promove a partir deste 8 de março. No Brasil, o movimento pretende reunir cerca de três mil mulheres em uma marcha com trajeto de 100 km, entre as cidades de Campinas e São Paulo. Serão 10 dias de caminhadas [8 a 18/03], com atividades em vários locais durante o percurso.

Várias militantes paranaenses da MMM, inclusive a secretária da mulher trabalhadora da CUT-PR, Regina Cruz, partiram em caravana para participar da atividade. O objetivo da caminhada é chamar a atenção da sociedade para as bandeiras da Ação Internacional 2010, como a luta pela autonomia econômica das mulheres, por bens comuns e serviços públicos, pela paz e contra a militarização, e contra a violência sexista.

:: Mobilização pela Reforma Agrária
Neste Dia Internacional da Mulher, cerca de mil camponesas da Via Campesina, vindas de várias regiões do estado, ocupam a Usina Central do Paraná, na cidade de Porecatu [região norte], desde as seis horas da manhã. O ato faz parte da mobilização nacional contra o agronegócio e a violência: por Reforma Agrária e soberania alimentar e denúncia da monocultura da cana e o trabalho escravo.


Pesquisa da OIT mostra que mulheres trabalham cinco horas semanais a mais que os homens

Mulheres trabalham cinco horas semanais a mais do que os homens, de acordo com estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado hoje (4). As mulheres têm uma jornada total semanal de 57,1 horas, contando com 34,8 horas semanais de trabalho e mais 20,9 horas de atividades domésticos. Já os homens têm uma jornada total de 52,3 horas semanais, sendo 42,7 horas de jornada de trabalho e 9,2 horas semanais de atividades domésticos.

A diretora do escritório da OIT em Brasília, Lais Abramo, disse que a entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho não foi acompanhada por uma reorganização das funções do trabalho doméstico entre homens e mulheres.

“Culturalmente, se atribui à mulher o cuidado quase que exclusivo com a casa e a família. Aqui, se tem uma coisa complexa que passa pela redefinição das relações entre homens e mulheres, uma parceria muito mais equilibrada entre os sexos no âmbito das famílias”, afirmou.

Outro dado importante da pesquisa mostra que parte significativa das mulheres trabalha como empregadas domésticas. Dos 42,5 milhões de mulheres que fazem parte da população economicamente ativa, 6,2 milhões são negras. Isso representa 15,8% do total da ocupação feminina. E, de acordo com o estudo, a maioria das trabalhadoras domésticas é negra.

Cerca de 20% das mulheres negras ocupadas trabalham como empregadas domésticas e 24% delas têm carteira assinada.

Para Lais, a desvalorização do trabalho doméstico está ligada a uma desvalorização das funções de cuidado na sociedade, no qual o trabalho doméstico se insere, e esse tipo de trabalho exige qualificação.

“As trabalhadoras domésticas são trabalhadoras como quaisquer outras, elas têm direito a uma regulamentação do seu trabalho, elas têm direito a uma proteção social, à licença-maternidade. O problema é que existe uma grande porcentagem de trabalhadoras sem contrato de trabalho”, afirmou.

O subsecretário de Ações Afirmativas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racional (Seppir), Martius Chagas, disse que o empregador precisa ter consciência de que um empregado doméstico, com seus direitos assegurados, vai produzir muito mais.

“É um processo cultural que estamos conseguindo fazer com que no Brasil possa avançar. Acho que estamos no caminho, por mais que haja essa precarização do trabalho doméstico, onde as trabalhadoras estão na base da pirâmide. Mas acho que isso esta mudando. E também devemos levar em conta a própria capacitação, reorganização e qualificação desse trabalho”, disse Chagas.

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Debate ao governo do Paraná retoma discussão sobre privatização do BANESTADO e questiona política de alianças
   
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Um balanço para avançar
   

INDIGNÔMETRO

Qual bandeira de luta deve ser a prioridade dos trabalhadores em 2010?
A vitória do projeto popular nas eleições
Aprovação da PEC da redução da jornada de trabalho
Ratificação da Convenção 158 da OIT
Ratificação da Convenção 151 da OIT
Total de votos: 284
Resultados
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Jornalista Responsável: Davi Macedo - Reg. Profissional MTb 5462 PR