Centenário do Dia Internacional da Mulher: Movimentos feministas do Paraná saem à luta no dia 06 de março
A manifestação popular das diversas entidades feministas paranaenses que marcará o centenário do Dia Internacional da Mulher será neste sábado, dia 06 de março, em Curitiba. A concentração será a partir das 09h, na Praça Santos Andrade. As militantes sairão em caminhada pelas ruas do centro da cidade em direção à Boca Maldita, tradicional local de protestos da capital. A Secretaria de Mulheres da CUT-PR está na coordenação da atividade
Durante o trajeto acontecerão vários atos. O principal deles será o lançamento da campanha da CUT por “Igualdade no Trabalho”. O objetivo é acabar com a discriminação salarial entre homens e mulheres. Ainda neste ato, as trabalhadoras cutistas também lançam o abaixo assinado pela ratificação da Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho [OIT]. Este tratado inclui entre os objetivos da política nacional do país-membro a responsabilidade de dar condições às pessoas com encargos de família, que estão empregadas ou queiram empregar-se, de exercer o direito de cumpri-lo, sem estar sujeitas a discriminação e sem conflito entre seu emprego e suas responsabilidades familiares.
O trabalho de coleta de assinaturas permanecerá até que sejam reunidas milhares de adesões para levá-las ao Congresso Nacional a fim de pressionar os poderes executivo e legislativo para que essa convenção seja ratificada ainda em 2010.
A Secretaria de Mulheres da CUT-PR convoca todas as dirigentes das entidades sindicais filiadas para participarem do ato e também a divulgarem em suas bases. O objetivo é reunir o maior número de pessoas possível para expandir a luta em torno das diversas reivindicações feministas. Para mais informações sobre a manifestações, entre em contato com Regina Cruz, secretária da mulher trabalhadora da CUT Paraná, pelo e-mail mulher@cutpr.org.br ou pelo telefone [41] 9197.4314.
:: Confira as reivindicações do Coletivo de Mulheres da CUT:
• Creches públicas e de qualidade;
• Igualdade salarial entre homens e mulheres;
• Alteração do artigo 7º da Constituição Federal para que haja equiparação dos direitos das domésticas com os demais trabalhadores e trabalhadoras;
• Ratificação da Convenção 156 da OIT;
• Acesso das trabalhadoras rurais à terra, crédito e políticas públicas universais;
• Legalização do aborto;
• Maior participação da mulher na política;
• Fim da violência contra as mulheres.
Sindesc e trabalhadores do Hospital Evangélico realizam mobilização
O Sindicato dos Empregados da Saúde [Sindesc] realizou na segunda-feira [01] uma manifestação em frente ao Hospital Evangélico de Curitiba. Cerca de 100 trabalhadores participaram do ato, pois estão insatisfeitos com o que vem ocorrendo na empresa. Atrasos nos pagamentos de salários, auxílio alimentação, férias, falta de depósito do Fundo de Garantia, quantidade insuficiente de funcionários por setor, descumprimento de jornada estabelecida em Convenção Coletiva, entre outras irregularidades, motivaram o protesto.
O sindicato está atuando em ação conjunta com o Ministério do Trabalho, para o qual foi encaminhado ofício pedindo a fiscalização, além de ingressar com ação coletiva nº 3329/2010, que tramita na 6ª Vara do Trabalho, na tentativa de solucionar o problema.
Foi constatado pelo Sindicato que há mais de dois anos o hospital não fazia o recolhimento do Fundo de Garantia, que somente era depositado no momento da rescisão de contrato. Porém desde julho de 2009, além dos atrasos nos pagamentos de salários, o FGTS não estava sendo pago nem mesmo nas rescisões, o que gerou pendências nas homologações desta empresa devido à falta de depósitos.
A empresa alega que está enfrentando momentos de crise e que sofre com a burocracia para repasse de verbas do SUS, mas os trabalhadores não têm culpa da falha na administração do hospital.
O Sindicato está tentando negociar com a diretoria do hospital. Caso não sejam realizados os pagamentos, as manifestações continuam e há possibilidade de deflagração de greve. A audiência referente aos atrasos de salários e outras irregularidades está marcada para dia 17 de março, às 13h30. O Sindesc estará presente representando a categoria.
Guardas de Curitiba conquistam aumento do piso e greve é suspensa
Os guardas municipais aprovaram na noite de ontem [02], por unanimidade, a suspensão da greve. A deliberação foi tomada em assembleia, após reunião de negociação na qual representantes da prefeitura ofereceram uma nova proposta com piso salarial de R$ 850, a partir de abril deste ano. O aumento de 19,57% ainda está longe do exigido pela categoria (R$ 1,3 mil), mas representa um avanço se comparado à primeira proposta apresentada de 6%.
Na avaliação da diretoria do Sismuc o resultado da greve deve ser comemorado, mas esse seria ainda o primeiro passo para as questões ainda pendentes da pauta de reivindicações entregue em novembro do ano passado. A principal conquista da categoria não estaria simplesmente nas questões salariais alcançadas, mas principalmente na organização. A união dos guardas em torno das reivindicações e a disciplina deles em relação à greve teriam demonstrado uma mudança significativa no perfil da categoria.
:: Plano de cargos
Algumas questões, no entanto, ficaram pendentes e devem ser resolvidas em novas reuniões. Conforme compromisso assumido pela administração, um novo plano de cargos, carreiras e salários será elaborado, desta vez com a participação de uma comissão de representantes dos guardas municipais. As reuniões devem ocorrer a partir de abril.
:: Dias parados
Também ficou definido que, a princípio, os guardas não terão descontos nos salários até o próximo dia 19, em função dos dias parados. Os membros da comissão de negociação dos guardas reafirmaram, por diversas vezes, durante a negociação, que não existem determinações legais para que a prefeitura execute os descontos. Como forma de compensar os dias parados, foi proposto pelos trabalhadores a reposição de horas extras. Sobre isso ainda não há acordo. Essa questão será discutida em nova reunião prevista para o dia 12 de março.
:: Quadro especial
Por fim, um dos pontos que continua pendente e que ainda preocupa a categoria é a situação dos 179 guardas do chamado quadro especial. Este grupo, com pisos salariais abaixo dos R$ 600, não estão contemplados pela proposta apresentada pela prefeitura. Durante a reunião, o secretário Paulo Schimidt foi cobrado sobre isso, mas foi irredutível em manter este grupo de fora. Como também não foi possível chegar a um acordo, assegurou-se que a situação destes guardas será discutida também em reunião específica no mês de abril.
Na assembleia, por diversas vezes os guardas questionaram a posição da prefeitura em relação aos “especiais” e cobrou-se isonomia, ou seja, que o direito de aumento salarial seja estendido a todos. Por esse motivo, a decisão de suspensão da greve está acompanhada da manuten ção de estado de greve. Ou seja, em caso de necessidade os guardas podem voltar à greve para, dentre outras coisas, pressionar a negociação das questões pendentes.
:: Retomando
Foram nove dias de greve e um mês de vigília promovida pelo Sismuc e por cerca de 1,5 mil guardas municipais. Antes disso, mobilizações com panfletagens, passeatas e debates públicos fizeram parte do calendário de ações coletivas. A indignação da categoria tomou corpo com a morte de quatro guardas no ano passado. Cansados das condições de risco da profissão e da baixa remuneração, os guardas iniciaram o maior movimento já realizado pela categoria desde a sua existência. A última greve havia acontecido em 1994, quando as condições de trabalho eram o tema principal da pauta de reivindicações.
FTIA-PR reúne 16 Sindicatos da Alimentação para fazer uma campanha salarial histórica
O Seminário de Elaboração das Pautas de Reivindicações de 2010 e de Negociações Coletivas da FTIA (Federação Estadual dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Paraná) reuniu 50 dirigentes de 16 Sindicatos em Pontal do Paraná, nos dias 25 e 26 de fevereiro, sublinhando “a importância de ampliar a pressão na base para arrancar aumentos reais de salário e ampliar conquistas”.
Além da categoria, participaram do evento, realizado na Colônia de Férias do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Panificação de Curitiba, dirigentes da CUT estadual, petroleiros, bancários e professores, além de assessores de Comunicação e de Relações do Trabalho.
Sob a coordenação do presidente da FTIA, Ernane Garcia Ferreira, o Seminário pontuou a necessidade de maiores investimentos na qualificação dos dirigentes e de garantir espaços de participação para a base. Na avaliação dos presentes, tal compreensão é essencial para as entidades darem um “salto de qualidade na sua organização e fortalecerem ainda mais os laços de união entre a categoria para ampliar a sindicalização, potencializando as reivindicações”.
Na avaliação de Ernane Garcia Ferreira, “este é o momento de avançar e fazer uma campanha salarial para entrar na história”, já que todas as projeções apontam para um crescimento da economia da ordem de 5%. “Ao decidir investir nos espaços de diálogo, construímos debates para trocar experiências e ampliar a nossa capacidade de intervenção. Com mais comunicação, mais informação e mais organização, vamos materializar o nosso sonho, lançando uma semente para colher os frutos com responsabilidade coletiva. Esta é a melhor forma de construir um sindicalismo comprometido com um projeto de desenvolvimento que aponte para a valorização do trabalho e a distribuição de renda”, acrescentou o presidente da FTIA.
“Reafirmamos que ao lado da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação (Contac) e da CUT, nosso compromisso é com mais salário, emprego e
direitos, com a construção de um país mais justo”, declarou João Moacir Belino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação de Toledo.
VALORIZAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO - O presidente estadual da CUT-PR, Roni Anderson Barbosa, ressaltou o papel das mobilizações unitárias das centrais sindicais em defesa da política de valorização do salário mínimo como elemento fundamental para o desenvolvimento nacional.
“Na verdade, esta é a maior campanha salarial do país, pois beneficia diretamente mais de 40 milhões de trabalhadores”, frisou. Da mesma forma, acrescentou o líder cutista, “a nossa luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário é essencial, pois as empresas têm obtido imensos ganhos de produtividade desde 1988,
data da última redução”. No caso do Paraná, lembrou, “a conquista do Piso Regional, também representa forte estímulo para avançarmos nos ganhos reais de salário. A destacada atuação dos companheiros e companheiras da alimentação abre espaço para novas vitórias”.
Membro da executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), Roberto von der Osten (Betão) elencou as inúmeras vitórias alcançadas pelos bancários, a única categoria que tem negociação nacional unificada. “Em 1982 unificamos a nossa data-base e em 1992 assinamos a nossa 1ª Convenção Coletiva. De lá para cá foram muitas conquistas como o vale alimentação e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Defendemos que as campanhas devem ser organizativas e mobilizativas, fortemente estruturadas nos locais de trabalho. Este é o caminho para a vitória”, acrescentou Betão.
O secretário de Comunicação da CUT Paraná, Miguel Baez ressaltou que a luta das entidades sindicais “precisa ser corporativa, na medida em que representa os interesses específicos do Ramo, mas também precisa ir além, pois somos parte da classe trabalhadora, que busca sua emancipação da dominação do capital. Com esta compreensão, investimos na organização, comunicação, mobilização e formação”.
DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO - “O investimento em comunicação é chave para a disputa de projetos. Enquanto os empresários têm a grande mídia para manipular e desinformar, precisamos criar e fortalecer nossos próprios meios, jornais, rádios e revistas, para afirmar nossas posições em defesa dos interesses da classe trabalhadora”, afirmou Leonardo Wexell Severo, assessor da Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Leonardo resgatou a atuação da secretária Nacional da pasta, Rosane Bertotti, tanto do ponto de vista interno como externo, na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), onde a CUT teve papel chave na mobilização por um novo marco regulatório para o setor, “que ponha em xeque a ditadura imposta pelo latifúndio midiático”. Da mesma forma, acrescentou Leonardo, as ações desenvolvidas pela Contac/CUT junto ao Congresso pela redução da jornada da categoria para 36 horas “merece ganhar mais visibilidade, já que a intensidade do ritmo do trabalho nos frigoríficos avícolas, por exemplo, é uma atrocidade”.
A secretária de Formação da APP (Sindicato dos Professores do Estado do Paraná), Isabel Cristina, falou sobre a rica experiência da categoria e se comprometeu a estreitar a relação com os trabalhadores da alimentação: “vamos dar todo o apoio necessário nos cursos de formação política sindical, para que as lideranças possam cada vez mais elevar a sua capacidade de intervenção junto à categoria, o que aumentará o seu poder de pressão sobre o empresariado”.
“A formação dos dirigentes e militantes é estratégica para o crescimento dos sindicatos e representa forte estímulo para a superação dos limites, fundamental no processo de construção de uma nova sociedade. Há gente que vê o trabalhador como mão-de-obra, ferramenta. Nós apostamos na sua energia criadora”, declarou Edson Cruz, da assessoria da Secretaria Estadual do Trabalho.
LESÕES E MUTILAÇÕES – O número de mutilados e lesionados no setor alimentício impressiona e pode ser facilmente comprovado. Na reunião da FTIA, das 50 lideranças presentes, duas apresentavam graves sequelas de acidentes de trabalho.
A falta de condições mínimas de segurança num setor altamente lucrativo é uma demonstração da insensibilidade e da irresponsabilidade de alguns empresários. Como se não bastasse a imposição de um ritmo de trabalho abusivo, as empresas não investem minimamente em prevenção.
Osmar da Silva Oliveira era mecânico de manutenção da Sadia em Dois Vizinhos quando perdeu a ponta do dedo mínimo e a do dedão no dia 26 de dezembro de 2008, data que ficará marcada para sempre em sua memória. O valor da indenização pela perda do movimento de pinça, essencial na profissão? R$ 1.700,00.
PRÁTICAS ANTISSINDICAIS - O caso da avícola Avebom, em Jaguapitã, foi denunciado como exemplo de crime antissindical. A empresa contratou ônibus e filmou os trabalhadores para forçá-los a se desfiliarem do Sindicato. A denúncia já foi encaminhada ao Ministério Público.
Informado sobre o resultado da reunião, o presidente da Contac/CUT, Siderlei de Oliveira, destacou que “a determinação, a energia e a combatividade expressa pelos companheiros do Paraná deixa claro que teremos uma campanha salarial que vai marcar época e para a qual a FTIA e os sindicatos terão todo o nosso apoio”.