A Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR)
é uma organização sindical de massas em nível
máximo, de caráter classista, autônomo e democrático.
É adepta da liberdade de organização e de expressão
guiada por preceitos de solidariedade. Atualmente representa 127 entidades
sindicais e 669.517 trabalhadores na base, com 182.277 filiados. Seu
principal objetivo é a defesa dos interesses imediatos e históricos
da classe operária, melhores condições de vida
e trabalho e o engajamento no processo de transformação
da sociedade brasileira em direção à democracia
e ao socialismo. A CUT-PR organiza, representa sindicalmente e guia,
numa perspectiva classista, a luta dos trabalhadores brasileiros da
cidade e do campo, do setor público e privado, dos ativos e
aposentados.
Nasce a CUT-Paraná
A fundação da Central Estadual ocorreu durante o 1º
CECUT (Congresso Estadual da CUT), nos dias 13 e 14 de abril de 1985,
na cidade de Curitiba. Foi criada em meio à passagem do modelo
ditatorial para o democrático, como diz o trecho retirado da
análise de conjuntura do 1º Congresso. "A ditadura
militar, enquanto forma de dominação explícita,
acabou. As Forças Armadas estão aí hoje para
fazerem cumprir a Constituição e não atuam mais
como um partido político, nem exercem diretamente o poder governamental.
Todavia, mantêm a militarização da máquina
do Estado e seu poder de pressão através de leis como
a LSN, Lei de Greve, Lei Falcão, Estado de Sítio, Salvaguardas,
etc. Além disso, órgãos como o SNI, CSN, Política
Federal e outros tantos, serão apenas "democratizados",
segundo o atual governo. O que houve em verdade foi uma transição
de um regime ditatorial para uma democracia burguesa, de corte autoritário
e conservador. Esta nova estratégia faz parte de um plano geral
das burguesias de países capitalistas dependentes, no sentido
de criarem regimes estáveis, fortes o suficiente para não
colocarem em risco sua dominação". Como era proibida
a constituição de Centrais Sindicais, a CUT e todas
suas instâncias funcionavam juridicamente como Instituto Nacional
de Formação (INF).
Naquela época a sede da CUT-PR era localizada na Rua Lamenha
Lins, 2064, Rebouças - Curitiba. A primeira executiva estadual
contava com Geraldo Mendonça de Oliveira (Sindipetro) na presidência,
Zeno Minuzo (STR Pérola D'Oeste) na vice-presidência,
Doático dos Santos (Federação dos Servidores
Públicos) como secretário geral, Paulo Cequinel (Sindipetro)
na secretaria de política sidical, Arlindo Martins (Oposição
Sindical Bancária) como secretário de finanças,
Adelmo Escher (STR Francisco Beltrão) na secretaria rural,
David Vasconcelos (Sintracon) como secretário de formação,
e Luiz Eduardo Cheida (Sindicato dos Médicos de Londrina) na
secretaria de imprensa. Mais de cinco mil delegados, representando
milhões de trabalhadores organizados, participaram da fundação
da CUT-PR. O Sindicato dos Enfermeiros do Paraná, dos Empregados
em Estabelecimentos Bancários de Londrina, da Construção
Civil do Paraná e Santa Catarina, dos petroleiros e dos Trabalhadores
Rurais de Dois Vizinhos foram as primeiras entidades a se filiarem
à Central no Estado.
2º Congresso
O II CECUT foi realizado na cidade de Cascavel, nos dias 19 e 20 de
abril de 1986. Na oportunidade o ponto mais debatido foi o pacote
econômico do presidente José Sarney, instituído
pelo Decreto-Lei 2284/86. Na avaliação dos delegados
do Congresso, o pacote era um conjunto de medidas que procurava fazer
ajustes na economia brasileira adaptando-a às novas necessidades
do capitalismo internacional. Ele impunha aos trabalhadores um pacto
social que congelava a miséria por decreto, atendendo aos interesses
do FMI e da dívida externa. A CUT-PR não aceitou aquelas
medidas porque não contemplavam as questões centrais
dos interesses do povo brasileiro. "O pacote é concentrador
de renda, acelera o processo de formação de grandes
monopólios, de concentração de propriedade das
terras e a destruição dos pequenos produtores agrícolas
(...). O governo tenta liquidar conquistas salariais anteriores, procurando
tornar definitivas as perdas salariais acumuladas e que vem sendo
o centro das lutas dos trabalhadores, que lograram importantes vitórias.
O artigo 25 do decreto 2284 impõe como Lei uma proibição
definitiva à recuperação das perdas, arbitrariamente
jamais tentada neste país", diz o caderno de resoluções
do Congresso. Os participantes da segunda edição do
CECUT reelegeram o petroleiro Geraldo Mendonça de Oliveira.
A vice-presidência ficou com Leônidas Teles, do Sindicato
dos Trabalhadores Rurais (STR) de Pérola. Naquele ano, a CUT-Paraná
funcionava na Rua Doutor Muricy, nº 542, sala 1204, no Centro
de Curitiba.
3º Congresso
Considerado um marco importante para a consolidação
da CUT-PR, o III CECUT foi realizado na cidade de Londrina, em 1987.
Dele surgiram as tarefas de despertar e incentivar no movimento sindical
as lutas no plano político, batalhar pela unificação
das lutas dos trabalhadores, denunciar constantemente aos trabalhadores
a farsa da Constituinte e, por fim, organizar a classe operária
adaptando-se a realidade da Convenção 87 da OIT.
4º Congresso
A
quarta edição do Congresso da CUT-PR ocorreu nos
dias 09, 10 e 11 de junho de 1989, na cidade de São José
dos Pinhais. Naquele ano foram realizadas eleições
presidenciais. A sociedade brasileira estava ávida de
respostas. Também foi o período onde surgiu o
maior número de greves e de grandes mobilizações
de massa (os 35 milhões de trabalhadores que aderiram
à Greve Geral de Março a credenciaram como a maior
em números absolutos a nível mundial). A burguesia
não apresentava alternativas à recessão
econômica e ao desmonte do bloco de poder que deu sustentação
à "Nova República", que se constituía
numa nova forma de dominação da elite. O IV CECUT
deixou
claro que a classe trabalhadora não aceitava a reintrodução
na vida política do país atos como o AI-5 e que
a liberdade sindical conquistada na força das mobilizações
não seria liquidada pela vontade pretensiosa de nenhum
governante. Participaram daquele CECUT aproximadamente 330 pessoas,
entre delegados, convidados, observadores e equipe de serviço.
Henrique Pizzolato, do Sindicato dos Bancários de Toledo,
foi eleito presidente e Leônidas Telles, do Sindicato
dos Trabalhadores Rurais de Pérola, vice. Naquele tempo
a CUT conquistou a hegemonia no Paraná. Um ano após
o Congresso (1990), a CUT e todas suas instâncias passaram
a não ter mais que funcionar juridicamente como Instituto
Nacional de Formação. Nesse período a sede
da CUT-PR era na Rua Almirante Tamandaré, nº 434,
Alto da XV.
5º Congresso
A cidade de Maringá sediou, entre os dias 26 e 28 de
julho de 1991, o V CECUT. O evento aconteceu em um momento especial
da história, ou seja, após a queda do muro de
Berlim, as mudanças no leste europeu e a reestruturação
de forças em todo mundo. Acabaram-se os dois pólos
(comunismo e capitalismo) para surgirem novos poderes políticos
e econômicos, como os Estados Unidos, o mercado comum
europeu e o Japão. Com todas essas transformações,
foi o Congresso mais importante frente aos outros quatro já
realizados. Além de análises de conjuntura e definição
do Plano de Lutas para os anos que estavam por vir, o momento
exigiu uma reflexão profunda sobre o tipo de sociedade
que o movimento sindical queria. A CUT-PR saiu mais fortalecida
desses dias de discussão.
Apesar das divergências de opiniões, o objetivo dos sindicalistas cutistas era o mesmo: continuar a luta contra o projeto neoliberal do governo Collor, a favor do socialismo como alternativa para o Brasil e pela construção da CUT como direção da classe trabalhadora. O companheiro Henrique Pizzolato continuou na liderança da Central. Afonso Kamer, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Medianeira, foi eleito vice-presidente.
6º Congresso
A VI edição do CECUT foi realizada meses antes das eleições
para governador. Jorge Samek (PT), Álvaro Dias (PP) e Jaime
Lerner (PDT) disputaram o pleito que, para tristeza dos trabalhadores,
elegeu o candidato do PDT. O Congresso aconteceu nos dias 21, 22,
23 e 24 de abril de 1994, no Catuaí Shopping Center, em Londrina.
Na oportunidade foi deliberado o encaminhamento à CUT Nacional
da proposta de greve geral contra o plano FHC (Real). Segundo o plano
de lutas imediatas do VI CECUT, "o Plano FHC é ditado
pelo FMI e repete a receita dos anteriores. Cortes na educação,
saúde e outros gastos públicos; estrangulamento das
verbas municipais e estaduais e achatamento dos salários são
as principais diretrizes". Na oportunidade, a Central tomava
claramente posição contraria ao plano e à revisão
constitucional que o governo Itamar defendia. O planejamento de ação
para a CUT Paraná defendeu uma participação mais
efetiva da sociedade nas lutas da Central, por meio de programas de
formação que seriam extensivos aos familiares dos sindicalistas,
dos militantes e membros das associações. O VI Congresso
elegeu, pela primeira vez, uma mulher como presidente - Ana Maria
da Cruz, do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento da Saúde
de Londrina. Afonso Kamer continuou como vice-presidente. A CUT-Paraná
desenvolvia suas atividades durante esse mandato na Rua Lamenha Lins,
1267, Rebouças.
7º Congresso
"O problema não é só fazer a economia crescer,
mas sim criar condições para uma divisão social
da produtividade e para uma maior distribuição de renda",
sob este desafio foi realizado, de 11 a 13 de julho de 1997, na cidade
de Praia de Leste, o VII CECUT. As resoluções do Plano
de Ação afirmavam a estratégia de resistência
propositiva ao modelo neoliberal como norte principal da atuação
da Central para o triênio que estava por vir. O dirigente do
Sindicato dos Bancários de Curitiba Roberto Antônio Von
Der Osten ficou com a presidência da Central. Maria Salete Escher,
agricultora familiar no município de Enéas Marques,
ocupou o cargo de vice-presidente. Nesse período a sede ficava
localizada na Rua Voluntários da Pátria, nº 368,
14º andar.
8º Congresso
Duzentos
e vinte sete delegados, representando 53 entidades filiadas
à CUT, participaram do VIII CECUT. O Congresso foi realizado
nos dias sete, oito e nove de julho de 2000, na Associação
Banestado, em Pontal do Paraná. A presidência da
Central continuou com Roberto Von Der Osten e a vice-presidência
com o dirigente do Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores na
Construção Pesada) Raimundo Ribeiro dos Santos
Filho. Mais uma vez a CUT-Paraná mudava de endereço.
Desta vez ela conduzia suas atividades na Rua Alameda Cabral,
nº 423, São Francisco.
A Nova Gestão
A
atual Direção da Central foi eleita durante o
IX CECUT, nos dias um, dois, três e quatro de maio de
maio de 2003, em Pontal do Paraná. Duzentos e cinqüenta
delegados, eleitos em assembléias, representaram cinqüenta
entidades filiadas. Nomeados para mandato de três anos,
com início em quatro de maio de 2003 e término
em três de maio de 2007, a Executiva ficou composta da
seguinte forma: Presidente - Roni Anderson Barbosa (Sindipetro);
Vice-presidente - Sergio Athayde Silva (Bancários de
Curitiba); Secretária-Geral - Maria Helena Guarezi (APP-Sindicato);
1º Secretário - Carlos Alberto Recacho (APP-Sindicato);
Tesoureiro - Raimundo Ribei-
ro Santos Filho (Sintrapav); 1ª Tesoureira - Josete Dubiaski
da Silva (Sismmac); Secretário de Comunicação
- David Machado (Sindijus-PR); Secretário de Política
Sindical - José Alexandre dos Santos (Sintracon); Secretário
de Formação - Marcos Rochinski (STR Palmeira);
Secretária de Políticas Sociais - Débora
de Albuquerque Souza (APP-Sindicato); Secretário de Organização
- Miguel Angel Alvarenga Baez (APP-Sindicato). Alguns remanejamentos
de cargos se fizeram necessários. José Alexandre
foi para a Secretaria Geral e Mario Alves de Oliveira (Sindserv-Londrina)
passou a ser o Secretário de Política Sindical.
Logo no início dessa nova gestão, a Central deu
um grande passo na organização da classe trabalhadora
no Estado. Adquiriu sua sede própria. A partir de então,
a CUT-PR fica localizada na Rua João Manoel, nº
444, São Francisco - Curitiba.
Untitled Document
R: João
Manoel, 444 - Cep: 80510-250 - São Francisco - Curitiba/PR