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Nem a chuva esfriou o clima de Fora Temer e Diretas Já em Curitiba

18/05/2017

Próximo ato será no domingo (21) na Praça Santos Andrade.

Escrito por: Gibran Mendes com fotos de Leandro Taques


Mais de mil pessoas enfrentaram o frio e a chuva de Curitiba na noite desta quinta-feira (18) para pedir a saída de Michel Temer (PMDB) da Presidência da República e a convocação de eleições diretas e gerais. O ato teve início na Praça Santos Andrade, no centro da cidade, e seguiu em passeata até a sede da FIEP, no Centro Cívico.

Ao som de palavras de ordem como “Democracia, eu quero mais. Fora Temer e eleições gerais” os manifestantes fizeram uma espécie de “esquenta” para a manifestação de domingo (21), às 14h, em frente à Universidade Federal do Paraná.

Entre as pessoas que resolveram enfrentar o frio e a chuva estava a professora da rede pública estadual Danila Castro, 27 anos. “Vim para pedir eleições gerais e diretas já. É a única solução para o Brasil no momento”, resumiu. Ela, que carregava um cartaz escrito “Eu não me engano, o Moro sempre foi tucano”, ironizou o fato do magistrado paranaense não ter participado das investigações que resultaram na nova crise brasileira. “O Cunha está preso no Paraná recebendo dinheiro na cadeia e não se fala nada. Eles gostam de questionar se o Lula sabia ou não sabia o que acontecia no seu governo. Será que o Moro não sabia o que acontecia aqui no Paraná com um réu que está sob responsabilidade dele?”, questionou a professora.
Professora Danila Castro
Além do cartaz, Danila carregava a filha Daniela, de 7 anos, a tira colo. “Ela sempre participa das nossas conversas e dos nossos debates. Evito levar ela nos atos por conta da violência da Polícia Militar, mas hoje resolvi trazer. É um momento histórico que ela precisa participar, precisa lembrar desse dia”, projetou.

Enquanto a professora buscava abrigo da chuva, embaixo da marquise da Universidade Federal do Paraná, Paulo Sérgio Guedes, de 47 anos, aproveitou a situação para ganhar dinheiro. Ele vendia guarda-chuvas durante a manifestação. Questionado sobre sua posição a respeito da situação do Brasil, ele foi enfático. “Novas eleições? Somente se for para tudo, eleições gerais. Para deputados, senador e tudo mais. Só o Temer não adianta, pois assume o Rodrigo Maia que é do mesmo bando e continua tudo como está. Um escondendo as coisas do outro. Ou é geral ou deixa ele (Temer) lá sangrando”, analisou.

Questionado se considerava benéfica pausa no andamento das reformas em virtude da crise, Guedes foi enfático. “Essas reformas todas são uma palhaçada. Quem deve para a previdência são os bancos, grandes empresários, multinacionais e clubes de futebol. Então, na verdade, a previdência não está falida. Ela está sendo ‘caloteada’”, completou.

Bernardo Lopez, de 27 anos, não vê saída para a crise sem que passe pelas eleições gerais. “Se você quer votar para o Tiririca como Presidente da República, que seja. Mas não podemos admitir que alguém como Michel Temer fique lá. Ele não está onde está pelo voto popular. Quem votou na Dilma votou nele? Sim. Mas é golpe porque ele foi conta todo o plano de governo que a Dilma fez. Quer manter o Temer no poder? Que seja. Mas a decisão deve ocorrer pelas urnas”, enfatizou.

Em meio aos manifestantes estava a figura de Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha. Ex-deputado federal e com grande atuação no Mercosul, exerceu nos últimos anos o cargo de Alto Representante do Brasil no bloco. Para ele a situação do Brasil é refletida em toda a América do Sul.

“O Brasil se colocou como um país líder na integração e na construção da soberania na região. No momento em que há o golpe o País se tornou um anexo das ações dos Estados Unidos e do grande capital internacional. Hoje, o que estamos sofrendo aqui, afeta com muita profundidade a América do Sul. Tanto é que há um retrocesso no processo de integração. Não é uma estagnação, houve um retrocesso”, enfatizou.

O ex-parlamentar, que acredita que a solução para o País passa pela convocação de eleições gerais para o nível federal e estadual, vê com preocupação o futuro do Brasil a curto prazo. “Quem acredita no poder executivo? Quem acredita no poder legislativo ou no poder judiciário? Ninguém acredita. Quer dizer, essa instabilidade institucional está acompanhada de uma crise ética, crise moral e crise humana. Dá insegurança. Não se sabe o rumo que o Brasil tomar. Por isso é importante as manifestações de rua, porque quem está na rua sabe o que deseja e quem está na rua hoje quer a volta da democracia”, concluiu. 

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